Planet MSX Brasil

March 09, 2010

Alexandre Souza

Post sem titulo, mas com conteudo

Por um lado, provavelmente nunca farei algo que seja grandioso, apreciado pelas pessoas e ovacionado pelas massas.

Por outro lado, nao apenas o sustento, mas um provavel conforto.

Na vida nao da pra se ter tudo...Muitos lugares e pessoas se vao, mas o show tem que continuar.

Feliz ou triste? A dualidade da mudança...

by Alexandre Souza - PU1BZZ (noreply@blogger.com) at March 09, 2010 02:00 AM

March 07, 2010

Daniel Caetano

Um Retrato da Depressao

Uma querida conhecida está passando por uma situação muito difícil e, em uma longa conversa com ela, eu tive oportunidade de relembrar um dos momentos mais difíceis da minha vida. Não sei quantos de vocês que me leem já passaram pela incomensuravelmente dolorosa experiência da depressão, mas espero que bem poucos de vocês tenham passado por isso... ou venham a passar.

Não é uma lembrança que me traga qualquer tipo de sensação ruim; em parte, até pelo contrário. Por quase dois anos eu travei uma luta infinita com a depressão e, sozinho, quase perdi a batalha para sempre. Tinha muito a agradecer ao médico que me ajudou a curá-la, não tivesse ele feito o que fez com meu pai, eximindo-se da responsabilidade de tratá-lo quando surgiram os primeiros sinais do diagnóstico de câncer.

Mas... defeitos todos temos. A contribuição dele para minha vida, porém, foi digna de nota e, assim, há gratidão. Se são as pessoas especiais que nos ensinam como viver, ele foi uma delas. Houve uma pessoa em minha vida que me mostrou um caminho para a mente, o corpo e a alma. E ele me mostrou que as coisas tinham de ser ainda um pouco diferentes do que eu havia imaginado.

O que aprendi com essas pessoas e com a experiência - isto é, quebrando a cara - é que a nossa vida é como um rio. Ainda que algumas pessoas pensem que o rio não tem um propósito específico, na verdade ele tem o propósito que nós lhe atribuímos. Com a nossa vida é a mesma coisa: nós atribuímos um sentido à ela, seja quando escolhemos nossa profissão, quando escolhemos uma namorada ou esposa, quando escolhemos uma vida de viagens ou enraizada1.

Cada pessoa faz o que bem entende com seu rio. Algumas pessoas escolhem construir uma represa, cultivar animais aquáticos... algumas resolvem até murar seu rio. Há, ainda, pessoas que decidem que seu rio serve para aplacar a sede de outrem. Cada uma dessas escolhas tem suas beneces e seus perigos e não há, em princípio, como falar em "melhor" ou "pior", "certo" ou "errado". Há apenas "diferente".

Hoje falarei sobre as pessoas que decidem que seu rio, sua vida, será uma vida de doação, ou seja, pessoas que colocam o bem-estar alheio acima do próprio, independente de ela conseguir o resultado que deseja - ajudar efetivamente - ou não. Ninguém precisa ser padre/freira ou ter uma entidade beneficente para ter uma vida de doação.

O fato é que essas pessoas possuem uma tendência natural de darem cada simples gota de energia de seu corpo e de sua alma, seja naquilo que fazem, envolvendo pessoas ou não. Essas pessoas se sentem bem com isso, com o fato de proporcionarem bem estar, de ajudarem alguém, ainda que na maioria das vezes não haja reconhecimento algum - o objetivo não é obter reconhecimento, é se sentir parte do processo.

O problema é que todo rio tem uma capacidade máxima para a tomada de água, isto é, existe um limite para a quantidade de água que se pode retirar de um rio sem comprometer sua perenidade, sem comprometer sua vida. Quando um rio é muito exigido, quando é retirada água além de sua capacidade, seu ciclo de vida é alterado, mudanças ocorrem nele e em seu entorno, que levam fatalmente ao esgotamento da capacidade do mesmo, podendo até secar a nascente.

A analogia com os seres humanos é direta. Existe um limite para o quanto podemos "nos doar", ainda que queiramos muito fazer o bem aos outros. Sentir que está fazendo o certo não é garantia da perenidade, assim como matar a sede da criança hoje não significa que será possível repetir o feito amanhã. A nascente pode ter secado até lá, se os cuidados devidos não forem tomados.

Se controlado, um indivíduo pode ter uma vida dedicada àquilo que lhe faz bem. Descontrolado, porém, suas energias se vão, rapidamente, e, no final, ele terá conseguido fazer muito menos do que seria possível se tivesse mantido o controle. Isso não é fácil de ver; é comum que o limite seja transgredido e, com o tempo, as alterações no ambiente começam a ser notadas. As alterações causam um ciclo vicioso que empurram a nascente ainda mais rapidamente para sua extinção. E isso acontece conosco também. A exaustão emocional pode causar o estado conhecido como depressão, que é um ciclo vicioso do qual é muito, muito difícil sair.

Erroneamente, no meu entender, muitos descrevem a depressão como uma tristeza profunda. Eu não a descreveria assim. A tristeza profunda existe, mas ela é apenas uma consequência: a depressão é como se o inferno se instalasse em sua alma. Você se torna parte do inferno e o sofrimento é incomensurável. Aquilo que seria besteira em qualquer outra situação se torna uma tábua de mármore fervente na qual você precisa se deitar. E, apesar disso, você não consegue ver razão para não fazê-lo. Não é que não parece haver alternativas... é que todas as alternativas parecem igualmente despropositadas e sofridas.

Toda a capacidade de dicernimento sobre o que é uma boa direção para a sua vida... se perde. Todos os caminhos são de chamas e dor, tudo é tristeza e o mundo que você vê reflete isso. Você está isso e o mundo se torna um grande espelho.

Cada pessoa precisa encontrar forças para caminhar; a parte mais difícil é saber, no íntimo, que estamos vivendo em uma "Evil Matrix", que aquilo não é o mundo de verdade e que, apesar de não parecer haver saída, ela existe sim. E o caminho para ela é o caminho que escolhermos se quisermos sair, seja ele qual for, desde que o mantenhamos até o fim. Quando chegarmos bem perto da borda da "bolha" em que estamos vivendo, será possível ver lá fora, e entender do que é feita... e assim ter condições de sair.

O caminho, entretanto, é árido. Cheio de sentimentos de dor e sem referenciais. É como andar por um deserto, após uma duna vem sempre outra duna... e aquilo parece que nunca vai acabar. E se não mantivermos a direção, não vai mesmo! É preciso manter a direção pois só assim, em algum momento, alcançaremos a borda do deserto. Essa é a parte mais difícil, pois o processo pode demorar anos - talvez boa parte da vida - e não há qualquer tipo de indicação de progresso, não há qualquer motivação, nada.

Por essa razão, os medicamentos são uma faca de dois gumes. Por um lado, eles permitem que se tenha uma visão um pouco mais "limpa" do mundo real - no fundo eles agem como filtros para a nossa mente, permitindo que notemos algum progresso e nos mantendo mais animados. Por outro lado, eles podem fazer com que a pessoa se disperse e não veja motivos para parar de vagar pelo deserto, para sempre, caindo num processo de dependência.

Assim como quem quebra uma perna precisa de uma muleta para caminhar, quando a nossa situação emocional é "feia", pode ser que precisemos da medicação. Mas, assim como ninguém quer andar de muleta para sempre, é preciso ter noção clara de que temos de achar nosso caminho para que não precisemos mais de medicamentos2.

É preciso ter esse desejo racional e bem arraigado, porque estes remédios afetam nossa capacidade de avaliação também. Se o efeito depressivo nos faz ver tudo horrível, eles têm uma tendência a nos fazer ver tudo "bom". E isso pode ser ainda mais perigoso, porque a falta de parâmetro continua, mas também podem sumir o instinto de sobrevivência, o amor próprio e, com isso, criar uma situação ainda pior que a original. É preciso muita responsabilidade para receitar tais medicamentos e, ainda mais, para tomá-los.

Eu passei por isso do meio de 2003 até o início de 2005; consumi medicamentos do meio de 2004 até o fim de 2004, quando juntamente com o médico decidi que já tinha forças para continuar adiante mesmo sem ainda ver a luz no fim do tunel. Foi um momento difícil, onde as pessoas de fora não podiam me ajudar e preferia ter podido estar longe delas, para não tê-las machucado.

Apesar de todas estas lembranças difíceis, eu fico feliz de poder olhar para trás e ver que eu superei tudo isso. E serei eternamente grato à força de uma ... [para ver o resto, vá até a página!]

by Daniel Caetano at March 07, 2010 10:39 PM

Alexandre Souza

Como é viver na civilização?

Hoje eu fui a Campinas...
  • O tal do café da Starbucks é MUITO BOM. E nao é apenas o café. É a embalagem inteligente, as canequinhas a venda, o ambiente, o tratamento dos funcionarios, o serviço em geral. Nao é muito barato, mas eu fiquei verdadeiramente encantado. Recomendo!
  • Tomei o tal sorvete da Haagen-Dasz. Era algo que eu queria a muito tempo. 17 reais por um copinho com duas miseras bolinhas de sorvete e cobertura de chocolate. Nada de especial, nao vi nada assim, "que sorvete". Preferia ter pago 7 reais num pote de 2 litros de napolitano. Nao recomendo. 
  • Campinas é uma cidade bacana :D

by Alexandre Souza - PU1BZZ (noreply@blogger.com) at March 07, 2010 07:59 PM

Ricardo Bittencourt (Ricbit)

Mais mágicas com calculadoras

Quando eu era criança, a mágica que eu mais gostava era aquela onde o ilusionista serra a assistente ao meio. Acho que a graça era tentar entender como ele fazia aquilo, levei um tempão para descobrir o truque. Usando uma calculadora também temos um truque parecido, mas ao invés de serrar uma assistente, vamos cortar um número em dois!


Para começar essa mágica, peça para a criança digitar o número mágico 142857 na calculadora:


Agora peça para que ela multiplique esse número por dois:


Olha só! Você cortou o número ao meio e juntou as partes ao contrário, 14-2857 virou 2857-14!

Agora peça para ela digitar novamente o número mágico e multiplicar por três:


Ahá! Novamente você cortou o número ao meio, 1-42857 virou 42857-1.

Você pode continuar a mágica a partir daqui, esse truque funciona com todos os múltiplos até 6:

142857 * 1 = 142857
142857 * 2 = 285714
142857 * 3 = 428571
142857 * 4 = 571428
142857 * 5 = 714285
142857 * 6 = 857142

Aparentemente, a parte díficil desse truque é memorizar o número mágico. Quando você está cercado de crianças barulhentas, não é fácil lembrar 142857! Mas, felizmente, você não precisa decorar o número. É só lembrar que ele é a dizíma periódica de 1/7, e você pode usar a própria calculadora para calcular a dízima:

1/7 = 0.142857142857142857...

A pergunta natural é: tem outras dízimas com essa propriedade, ou o 142857 é especial? Espantosamente, existem sim outros números. Eles tem até nome: são os números cíclicos. Para achar esses outros números, vale a pena entender porque o 1/7 funciona, e para isso é só observar o comportamento da dízima no algoritmo de divisão longa:


Você começa dividindo o número 1, e sempre que o resto é menor que 7, coloca um zero atrás e continua. Note que, quando você divide por 7, só tem sete restos possíveis: 0, 1, 2, 3, 4, 5 e 6. Se o resto for zero em algum momento, a divisão acaba e o resultado é exato. Mas se em algum momento o resto repetir, ou seja, for igual a algum resto que já apareceu antes, então você tem uma dízima.

Os números cíclicos são formados por divisões de período máximo. Como você nunca pode ter um zero de resto, então no caso da dízima de 7, o maior período possível seria seis (felizmente é o caso). Você começa com o resto 1, e quando chega no 1 de novo começa a repetir, como no diagrama abaixo:


Veja como agora dá pra entender porque os números cíclicos funcionam: 142857 é a dízima de 1/7. Se a gente multiplicar 1/7 por dois, teremos 2/7, e a dízima tem que ser o dobro também. Mas se você olhar no diagrama, multiplicar por dois é a mesma coisa que começar a percorrer o diagrama a partir do 2, ao invés de começar no 1. Mas não importa de onde você começa, a seqüência será sempre a mesma, e daí o resultado vai ser uma rotação da dízima original!


Sabendo que os números cíclicos são as dízimas de período máximo, já dá pra começar a procurar propriedades desses números. Quais números, além do 7, geram dízimas de período máximo?

A primeira coisa que a gente nota é que esses números precisam ser primos. O raciocínio é relativamente simples. Vamos chamar esse número que procuramos de k, e fazer a divisão longa de 1 por k. Os restos da divisão longa formam uma recorrência, onde o primeiro termo é 1, e para os seguintes você coloca um zero no final e acha o resto da divisão por k:

R[0] = 1
R[n] = 10*R[n-1] (mod k)

Essa recorrência dá pra resolver de cabeça:

R[n] = 10n (mod k)

Para termos uma dízima de período máximo, o resto precisa ser 1 novamente quando n=k-1, ou seja:

R[k-1] = 10k-1 = 1 (mod k)

Agora, do teorema de Euler-Fermat, nós sabemos que:

10φ(k) = 1 (mod k)

Onde φ(k) é a função totiente. Ora, nós sabemos que, quando k é composto, o totiente é sempre menor que k-1, então k não pode ser composto, e portanto é primo.

Certo, então k precisa ser primo, mas qualquer primo serve? Nope. Tem alguns primos que não funcionam, como por exemplo onze. No caso do 11, é verdade que 1010 deixa resto 1, mas logo 102 já tem resto 1 também, então a dízima é muito mais curta que gostaríamos.

Na verdade, o segredo desses primos que funcionam é que... hum... ninguém sabe qual o segredo. Esse é um problema em aberto. Na verdade, a coisa é tão feia que ninguém sabe nem mesmo se esses primos são finitos ou infinitos. O melhor que podemos fazer é um script que ache os primeiros deles:

Script em python que acha os primeiros números cíclicos

Depois do sete, o primeiro primo que funciona é o 17, e o número cíclico associado é 0588235294117647. Note que esse é um caso onde o zero à esquerda faz diferença! Se a sua calculadora tiver um visor bem grande, dá pra divertir uma criança por um tempão com esse número :)

by noreply@blogger.com (Ricardo Bittencourt) at March 07, 2010 03:00 AM

March 06, 2010

Daniel Caetano

Pensamentos

Às vezes me encontro em mar revolto, envolvido nas ondas do tempo; ao sabor das correntes me abandono, pela mera curiosidade de saber onde irei me encontrar.

Nestes momentos uma avalanche atinge meus pensamentos, me alimenta de maneira inesperada, encurta as noites de sono, faz o tempo parar.

Minhas mãos se tornam pena e as letras são minha alma... necessidade de extravasar, drenar o mar. E tudo que se drena são pensamentos... completos, indiscretos, impublicáveis.

 

Daniel Caetano

by Daniel Caetano at March 06, 2010 09:11 PM

Luciano Sturaro

Idéia de jerico.

Eu tenho vontade de pegar o cara que inventou a história de incluir nos vídeos do youtube o tal do "Include related videos" e torturar ele com requintes de crueldade!



Aquilo até pode ser interessante DEPOIS que o vídeo acabar, mas durante a execução é um SACO você passar com o cursor do mouse sobre a janela e pipocar aquela merda na tela tapar uma boa parte do vídeo.

Não acredita? Veja este vídeo (aqui no blog, use o player embed). E passe o mouse em cima da janela do vídeo.



Uma merda não é mesmo? Agora veja sem essa meleca, se não fica muito melhor:



Que tal começar uma cruzada pra que o povo que não tem uma ervilha no lugar do cérebro passe a não usar essa infame opção no player embed?

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by Luciano (noreply@blogger.com) at March 06, 2010 03:39 PM

March 04, 2010

Luciano Sturaro

Sorteio

Promoção Meu Moleco.

O amigo, blogueiro e piclisteiro Guardia vai sorterar do dia 5 ao dia 19 deste mês de março, cinco caderninhos de bolso ecologicamente corretos da Moleco.

Será um caderninho para cada participante sorteado. Para participar e concorrer aos caderninhos Molecos de bolso, responda ao Quiz. É importante usar seu nome real no Quiz, ok?

Você deve obter um desempenho no Quis maior ou igual a 75%, e assinar o Feed do Blog do Guardia.

Mais detalhes podem ser obtidos neste Post do Blog do Guardia.

Eu já tratei de garantir a minha participação.



E ai? Vai ficar de fora?

[ Ouvindo: 'Delegation - You And I' ]


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by Luciano (noreply@blogger.com) at March 04, 2010 12:45 AM

E tem gente que acredita neles...

Dando continuidade a "meteção de pau" na famigerada nbr14136 da nossa querida abnt (eu não escrevo o nome dessa merda em maiúsculas e nem da norma de propósito, eles não merecem esse destaque) quanto mais a fundo você observa o que fizeram percebe que foi algo pra literalmente foder com todo mundo.

Alguém que já foi instalar a porcaria das tomadas novas, já prestou atenção na polarização dos plugues?



E você já se perguntou porque os adaptadores são um trubufu gigante?



Os "gênios" que resolveram mexer no que estava quieto, simplesmente não se atentaram que a disposição dos pinos é contrária nos dois tipos de tomada.

Resultado, tem adaptador sendo vendido por ai (como esse da foto acima) que os pinos fase e neutro ficam INVERTIDOS!

Alguém ai já notou que os pinos chatos das tomadas "antigas" tem um que mais largo que o outro, justamente pra polarizar e você não inserir a tomada invertida?

Alguns equipamentos, principalmente importados tem funcionamento estranho quando ligados invertidos.

E agora? Como fica? Quem esta mais louco?

A imagem que encontrei neste site (que reproduzo aqui) diz tudo:



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by Luciano (noreply@blogger.com) at March 04, 2010 12:13 AM

March 03, 2010

Daniel Caetano

Papo de Camarada

 

- Vai, vai! A mina tá dando mole, cara!

- Dando mole uma pinóia, Zé.

- Tá sim, cara. Olha lá! Ela já te olhou três vezes.

 

Rafael fez uma cara de quem não acredita no que está ouvindo, olhou sério para a mulher em questão e respirou fundo. Baixando a cabeça e movendo-a de um lado para o outro em negação, pensou por três segundos e olhou sério para seu amigo.

 

- Ô animalzinho, ela não me olhou. Ela olhou pra cá. Não percebe que tem um caminhão de diferença?

- Percebo que você vai furar de novo.

- De onde você tirou que ela tá afim? Não tô vendo um só sinal.

- Cara, ela olhou pra cá três vezes. TRÊS vezes.

- Isso. Três vezes em três horas. Uma ótima média.

- Mas olha que gostosa! Não vale uma investida?

- Dinheiro na bolsa é investimento... isso é perda de tempo, pura e simples.

- Tá, tá... mas olha que rostinho! Ah, eu perdia um tempo com isso!

- Rostinho? Cara, a mulher tá com cara de quem comeu romã verde... provavelmente brigou com o namorado, no máximo tá querendo fazer ciúmes... e, se você tá tão a fim de perder tempo, por que não vai lá?

- Porque ela tá olhando pra você, não para mim.

 

De repente Rafael se sentiu em um dilema. Seus olhos perderam o foco e ele começou a pensar no que estava acontecendo... E se ele estivesse amargo mesmo? E se a moça estivesse dando mole e ele simplesmente brincando de avestruz? Uma porção de interrogações começaram a aparecer sobre sua cabeça.

 

- Ahá! Eu conheço essa cara. Você está em dúvida.

 

Rafael focou lentamente o olhar em seu amigo e viu ele ali, vermelho, rabo pontudo, chifres, e o copo de cerveja já se transformara num afiado tridente em sua mão.

 

- Zé, me deixa em paz. Você fica me tentando... só quer ver eu quebrar a cara pra depois ter história pra contar. Faz tempo que não levo fora... e tá ótimo assim.

- É, é verdade. Você não vai sempre, mas quando vai... cata.

- Isso, e está ótimo assim. É assim que eu gosto.

- Faz assim não, cara. Você tá tratando caviar como arroz com feijão.

 

A cada conversa mole, a cada comparação absurda que Zé fazia, Rafael se repetia a pergunta clássica: por que ele ainda saía com esse cara?

 

- Zé, é por isso que você só se dana. Que tipo de comparação é essa?

- Ah, cara... não gosto de ver um amigo deixar uma mulher dessas passar em branco.

- Você não vai me dar paz... não vai me deixar beber minha cerveja... enquanto eu não for lá falar com ela, né?

- Agora você pegou a idéia.

 

Respirando fundo, Rafael levantou-se e caminhou na direção oposta à da garota... e desapareceu em meio à multidão. O Zé ficou olhando meio atônito, pensando que teria de voltar a pé pra casa. Pediu mais uma bebida e ficou contemplando "a paisagem", como costuma chamar. Como quem não queria nada, olhou novamente para o lado da mulher que tinha sido o assunto da noite e, surpreendendo-se, viu Rafael ao lado dela.

 

Ele pareceu pedir alguma informação e depois se sentou ao lado dela no bar. A conversa seguiu animada por um tempo, os dois se levantaram e foram para a pista. Já se sentindo um voyeur, Zé ainda "pegou" o momento em que os dois se beijaram e resolveu ir cuidar da própria vida.

 

Achou alguém, dançou, riu bastante, mas essa não era sua noite. Não estava a fim de nada e, talvez, esse teria sido o motivo pelo qual estimulou tanto seu amigo. Depois de algum tempo, cansado, foi até o bar e pegou uma tequila. Já estava batendo um papo animado com o barman quando sentiu uns tapinhas nas costas.

 

- Então...

- Então...?

- Valeu.

- Disponha.

 

Daniel Caetano

by Daniel Caetano at March 03, 2010 10:46 PM

Luciano Sturaro

Lisarb, e a estupidez de se legislar atraves de simples... normas!

Lá no blog do Ryan esta um verdadeiro auê em cima de postagens sobre maldita NBR 14136, a qual nos enfia goela a baixo o "tridente do capeta".

Estou trazendo um pequeno trecho de um comentário do Zow de lá para cá para comentar sobre algo que a muito eu já queria escrever aqui.

"zow disse...

...Nas normas, que são um consenso comum entre especialistas da área sobre o assunto."


Nesse ponto eu posso dar risada! Boa parte de normas editadas pela ABNT, Contran/Denatran, Anatel, Anvisa, os tais "especialistas" cheiram cola ou coisa muito pior, ou... estão levando um capilé legal por trás das normas para publicarem do jeito que são.

Vou fazer uma micro-listinha das bizarrices que eu lembro e o resultado.

- Contran/Denatran: O famigerado kit de primeiros socorros.

Todos tiveram que comprar o maldito kit que era de "porte obrigatório" e no fritar final dos ovos alguém se lembrou que no caso de acidentes, jamais remova ou mexa na vitima exceto em extremo caso de risco iminente a vida do mesmo, exemplo fogo... reseultado: Puseram-nos um nariz de palhaço e a obrigatoriedade do kit foi pelo ralo... caiu em apenas 3 meses depois de publicada.

- Inmetro/Contran: O famigerado "selinho holografico do inmetro" nos capacetes de motociclista.

Nos primeiros 2 ou 3 meses foi uma festa de blitz e multas pra quem estava com capacete sem o maldito selinho de papel. Agora??? Nem olham. Depois... o próprio inmetro pede que o contran suspenda a resolução 203... Novamente, muita gente que tinha comprado capacetes novos antes da famigerada resolução, teve que re-comprar só por causa do selinho e jogar os sem selinho no lixo. Pior é o caso de quem tinha capacite importado, com todo os certificados de segurança emitido por órgãos internacionais se segurança e... sem o papelzinho do inmetro. Hoje, nem olham pro selinho. Resultado quem comprou capacete novo por isso, tomaram um nabo no rabo.

- Inmetro: As malditas tomadas tridente do capeta.

Dispensa falar muita coisa, tem vários post aqui, aqui e aqui e também no blog do Ryan sobre a ridicularidade dessa normal. Dai... alguém (que pelo menos tem um pingo de bom senso) lá na no ministério publico acha que tá errado e quer suspender a norma. Acontece a mesma coisa na câmara...

E alguém lá do inmetro teve a cara de pau de dizer que a norma foi aprovada assim porque não houve participação ativa da população na consulta publica.... é pra rir?

- Anvisa: A nova polemica que aspirina, anti-acido e outros remédios que não exigem receita tem que ficar do lado de tras do balcão.

A maior bandeira disso é porque isso vai diminuir a auto-medicação... tenha santa paciência! Os tais remédios continuarão a serem vendidos, o hipocondríacos vão continuar comprando. A única diferença é que você vai ter que pegar um pouquinho mais de fila e pedir para o atendente de dar a cartela de aspirina. Ou seja, vai aumentar o trabalho, o custo e a mão de obra, mas tudo vai continuar como estava!

Já as grandes redes apelaram. Quer apostar que daqui algum tempo isso cai no esquecimento e as aspirinas voltam as gôndalas? Novamente, é pra rir?

- Anatel: O velho causo da venda casada do serviço ADSL (ou qualquer outro de banda larga) e você ter que contratar um maldito provedor só pra autenticar sua senha.

Essa é otima! Um provedor te cobra algo por volta de 10 a 20 reais, só pra autenticar seu usuário e senha, e te dá alguns brindes pra não ficar feio te oferece alguns servicinhos duvidosos. Se alguém falar email, apanha! Quem não sabe que o GMAIL LIQUIDOU com a festa de email pago, esta parado no século 20. A oferta também duvidosa de portal de conteúdo não cola... a anatel diz que tá tudo certo, já o procom diz que é (e realmente é) venda casada. Como fica? Eu desde que assinei ADSL nunca, repito NUNCA paguei provedor e pretendo não pagar. E isso já tem uns 3 anos. Usuários do Velox, mesma coisa...

Dai eu lanço a pergunta. Algum destes "especialistas em editar normas" pensou na população??? Não... só pensam em encher as burras de alguém (ou deles mesmo) de grana, e o povo: QUE SE FODA!

Em resumo eu acho que norma ter força de lei é algo estapafúrdio que dá margem a estas bizarrices. Pra mim pra algo ter força de lei, tem que ser LEI aprovada mesmo. Mas... no Lisarb a coisa é dos avessos mesmo.

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by Luciano (noreply@blogger.com) at March 03, 2010 10:27 PM

Ricardo Bittencourt (Ricbit)

Mágicas com calculadoras

Tem um diálogo que sempre acontece quando vou visitar algum amigo que tenha filho pequeno. Eu sou apresentado pelo amigo como "o Ricbit, aquele amigo que gosta de Matemática". Aí a criança, espantada, responde "mas como assiiiiiim ele gosta de Matemática?!". E o amigo responde "ah, mas matemática com o tio Ricbit é divertida. Mostra pra ele, Ricbit!". E aí eu, que nem cheguei direito, já estou com a batata quente na mão!

Felizmente, eu já descobri alguns truques pra lidar com situações assim. Se a criança ainda está na fase de achar que matemática é aritmética, então uma abordagem que funciona bem é pedir uma calculadora emprestada,e falar que você vai usá-la pra fazer mágicas.


Uma das mágicas clássicas funciona assim:

1. Primeiro você pede pra criança digitar 13837, que é um número mágico.


2. Depois, você pergunta quantos anos tem o pai dela, e fala pra ela multiplicar aquele número mágico pela idade do pai. Digamos que o pai tem 42 anos, então o resultado será 581154.


3. Por fim, você fala pra criança multiplicar esse número que está no visor por outro número mágico, 73.


Surpresa! O resultado é 42424242, a idade do pai repetida até encher o visor da calculadora! Crianças adoram isso, eu imagino que o motivo é uma variação da Lei de Clarke. A criança não entende porque isso aconteceu, e qualquer conta suficientemente incompreensível é indistinguível de magia. (Pensando bem, isso funciona com estudantes de engenharia também).

O truque funciona com qualquer valor de idade, é claro. O motivo é simples: se você multiplicar os dois números mágicos, 13837*73 resulta em 1010101. Qualquer número de dois dígitos fica replicado quatro vezes quando você multiplica por 1010101. O ilusionismo do truque é que o par de números mágicos obfusca esse valor.

A pergunta natural nesse caso é: dá pra fazer a mágica com cinco repetições? Seis? Quantas eu quiser?

Isso só é possível se o número 101...01 não for primo. Sendo composto, você sempre pode separar os fatores em dois números mágicos. Vamos fazer um teste rápido. Para duas repetições não dá, 101 é primo. Para três repetições temos 259 e 39, para cinco temos 372731 e 271. Usando o Wolfram Alpha, dá pra checar manualmente que acima de duas repetições todos os números parecem compostos. Mas dá pra provar isso?

Eu achei que esse seria um problema complexo, mas acabou sendo mais fácil do que eu esperava! A prova pode ser feita só com matemática elementar. Suponha que o número que queremos fatorar gera n repetições, então ele pode ser escrito como a soma de uma progressão geométrica finita:



Se você notar que 100n é o mesmo que 102n, então dá pra fatorar o numerador como diferença de quadrados:



Agora é só notar que, para n>2, os dois termos do numerador são bem maiores que 99, então nenhum deles simplifica completamente. Daí, o valor final sempre vai ter pelo menos dois fatores, o que completa a demonstração.

Ainda tem um monte de mágicas que podem ser feitas com calculadoras, mas essas ficam para posts futuros :)

(Obrigado ao Jacques Brancher e ao Fábio Moreira pelas idéias.)

by noreply@blogger.com (Ricardo Bittencourt) at March 03, 2010 01:27 AM

March 02, 2010

Daniel Caetano

Liberdade

Quanto mais o tempo passa, mais percebo como a vida é dinâmica, com diversas cadeias de acontecimentos paralelos que nos alentam e preocupam, em tantas situações distintas, incomparáveis, todas competindo por nossa atenção.

Tenho a tendência de me prender a uma ou outra; talvez seja o comportamento natural humano. Mas me debato com isso, não aceito: a vida não é uma sequência única de fatos encadeados. Somos como um elo compartilhado por muitas correntes, às quais nos prendemos por vontade. Cada corrente, um desejo, um objetivo.

Em alguns momentos, o tempo puxa cada corrente para um lado diferente... e não conseguimos sair do lugar. As escolhas se tornam desafiadoras, mas os caminhos são claros: organizá-las, abandoná-las ou rompermo-nos.

Organizá-las significa aprender sobre cada um destes desejos aos quais nos prendemos, entender porque não estão se movendo em consonância e, se possível, modificar alguma coisa - em geral em nós mesmos - para que todas as correntes formem uma forte e única cordoalha, representante da convicção do futuro que desejamos.

Abandoná-las significa entender que nem sempre é possível incluir todos os nossos objetivos em nossa vida, ao mesmo tempo, num dado instante. É preciso saber abrir mão daquela corrente que se recusa a se tornar uma com sua vida, ainda que num momento futuro pretendamos voltar a elas. Identificar essas correntes dissonantes exige uma profunda análise, nem sempre simples, mas perfeitamente possível.

Rompermo-nos significa que não demos a devida atenção à organização e à escolha das correntes que formam nosso caminho. As pressões foram tão fortes, cada uma em sua direção, que acabamos nos expurgando de qualquer uma delas. Desconfortável, desagradável e desnecessário. O caminho das escolhas estava lá, não era preciso nenhum tipo de ruptura. Não era preciso deixar o tempo escolher por nós.

Somos elo e escolhemos nossas correntes. Cada elo só se liga a outro, e as correntes não esperam por ninguém.

No fundo, é disso que se trata a liberdade.

by Daniel Caetano at March 02, 2010 08:41 PM

Luciano Sturaro

Satélites Meteorológicos

Láááá em 2004 eu fiz três posts falando sobre receber imagens de satélites meteorológicos.

E a mais ou menos uma semana eu retomei este assunto, depois de conseguir montar um receptor caseiro mais adequado ao serviço, construir a antena correta (antena QFH), instalar um pré-amplificador de antena (booster), deu pra conseguir um resultado palpável...

Os posts de 2004 são estes:

Satélites e afins.
Os satélites.
Satélites parte II.

De lá pra cá muita coisa mudou, os satélites daquela época só restaram dois em serviço, NOAA 15 e NOAA 17, e foram lançados/ativados outros dois novos, NOAA18 e NOAA19. Mas nem tudo são flores, o National Oceanic and Atmospheric Adminstration (que é um órgão americano) não irá mais lançar satélites com o modo APT (este modo que é possível receber em cada com equipamentos simples), o ultimo com este modos foi o NOAA19.

E a vida útil dos satélites que estão é orbita é estimada até 2017. Logo o negócio e brincar enquanto temos satélites.

Os resultados que tenho conseguido podem ser visto aqui: http://www.py2bbs.qsl.br/wx.php

Se você comparar a as imagens atuais com o que eu tentei captar em 2004 nem chega ao pés do que eu consigo agora, e olha que o resultado atual ainda não esta 100%! Mas estou planejando melhorias para atingir o máximo de qualidade possível.

O mais curioso de tudo é que recebi um comentário num dos posts de 2004 perguntando sobre o uso do Orbitron, poucos dias depois de ter retomado as experiências, e isso me fez lembrar destes posts de 2004 que eu nem lembrava mais!

Uma pouco sobre como pode-se receber estas imagens, pode ser lido aqui e aqui. Mais sobre o assunto o pai Google pode responder.

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by Luciano (noreply@blogger.com) at March 02, 2010 06:00 AM